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Admiro os argumentistas que conseguem criar boas comédias. E aqui com todos os meus ingredientes preferidos: uma família, alguns amigos, um cão, uma paisagem de prender a respiração, e uma verdadeira aventura. 

Achei engraçado o resumo na página do IMDB: a história da mulher que gosta mais do cão do que do marido. E um dia o marido perde o cão...

Se formos justos, o cão é a personagem principal, embora apareça apenas no princípio e no fim do filme. O cão está sempre presente, mesmo quando está ausente. Ele é a personagem que irá ligar a família e ajudá-los a valorizar o que verdadeiramente importa. E sem lamechices, mesmo quando mostra o lado chato da vida dos cães: abandonados, colocados em canis superlotados, abatidos quando não adoptados. E já para não falar do lado chato da vida das pessoas: envelhecer, os problemas dos ossos, as pedras nos rins, os exames médicos.

O que sobressai neste filme: o guião, as personagens, o ritmo certo dos diálogos, os actores. Nos filmes de Kasdan as personagens brilham. Há sempre uma certa excentricidade, uma luninosidade, uma rebeldia, uma alegria, distribuídas em doses generosas pelas personagens. A tristeza pode abaná-las mas não as derruba. É essa a marca registada de Kasdan. 

A importância do cão já a vimos numa tragédia, o Turista Acidental, e também no papel de aproximar o homem triste e solitário da mulher alegre e sociável. 

Aqui, depois de salvo na auto-estrada pela mãe e filha, conseguirá a proeza de arranjar o marido perfeito, o veterinário, para a filha, fazer companhia à mãe na fase do ninho vazio, aproximar o casal que está desintonizado e ainda ajudar o sobrinho a aceitar o novo namorado da mãe (dele). 

 

 

 

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publicado às 21:44

Os bons realizadores criam uma atmosfera

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 17.02.16

É o primeiro filme que vejo de James Gray. E vi-o por acaso num dos canais da Fox. Two Lovers traduzido para Duplo Amor.

Este é um filme que não consigo classificar, que escapa a qualquer classificação. É um encontro feliz entre um bom realizador e bons actores.

Aqui não é o argumento que sobressai, embora seja um bom argumento. Alguns dias na vida de pessoas simples. As suas alegrias e as suas tragédias. Aqui o que sobressai é a realização, que consegue criar uma atmosfera, a sua atmosfera.

Alguém transporta um saco de lavandaria, vemos esse saco baloiçar enquanto acompanhamos de muito perto esse alguém. A imagem distancia-se e vemo-lo de longe. Está parado num promontório de uma baía. Percebemos que se vai atirar antes de ver a sua queda na água. O filme começa assim, um mergulho no escuro.

Joaquin Phoenix é Leonard, veste-lhe a pele, vive o seu quotidiano. O amor dos pais já não é suficiente. Rejeitado há dois anos pela noiva, mantém a sua fotografia no quarto. O trabalho na lavandaria do pai também não o satisfaz. Mas gosta dos pais e não os quer magoar.

Leonard conhece Sandra no jantar familiar, na mesma noite da sua tentativa de suicídio. Mostra-lhe as suas fotografias - o seu sonho é ser fotógrafo - e aceita o convite da família Cohen para fotografar o Bar Mitzvah do filho mais novo. O namoro com Sandra irá desenvolver-se como um fio protector que o mantém a salvo até ao último momento. 

Nas vidas simples de pessoas simples também existem dramas e tragédias. E encontros fatídicos. E a atracção pelo abismo. No caso de Leonard, o encontro com Michelle. Leonard passa a gravitar à sua volta. Ainda resiste a essa paixão mas, como dirá à mãe, quase num soluço: "Tenho de ir, mãe."

 

O cinema respira neste filme. Na aproximação e afastamento da câmara, no ritmo, na direcção de actores, na atmosfera que cria, e no seu minimalismo. Quase lembra Ingmar Bergman.

 

 

 

 

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publicado às 14:40

2016, um ano com muitos filmes para ver

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 17.01.16

Um dia escandalizei alguns viajantes quando referi gostar mais de ver filmes em casa do que nas salas de cinema. Claro que isso implica ver os filmes com um ano ou dois de atraso. Mas será que este ano vou resistir a ver The Martian, Hail, Caesar!, Bridge of Spies, 45 Years, Joy, Trumbo?

Pela lista de filmes que espero ver este ano, verifico que continuo a valorizar o guião (Drew Goddard e Andy Weir, os irmãos Coen) e a realização (Ridley Scott, Steven Spielberg). Assim como as homenagens ao cinema (Hail, Caesar!, Trumbo) e ao trabalho dos actores na pele de personagens (Charlotte Rampling, Jennifer Lawrence).

 

Este rio sem regresso revela a vida através do cinema. Agora falta revelar o cinema através dos que o vivem e amam. Realizadores, produtores, actores, edição, fotografia, cenografia, técnicos de som, efeitos especiais, todos contribuem para o resultado final.

Distingui entre vários tipos de cinema: de autor (intimista ou narcísico); próximo do documentário (biografia ou ficção); de ideias (direitos humanos, protecção dos animais e/ou ambiental); de acção (com muitos efeitos especiais); drama; comédia; animação. Pode situar-se no passado (histórico, de época); no presente ou no futuro (ficção científica). Pode utilizar a natureza como metáfora (The Petrified Forest, High Sierra), ou a cidade (The Asphalt Jungle) ou comparar as duas (On Dangerous Ground).

Também valorizei os realizadores, pelo domínio de uma técnica complexa, pela sua criatividade e pelo seu respeito pelo espectador. Assim como os actores, pela forma como vestem a pela da personagem.

 

Como qualquer outra forma de arte o cinema vai-se renovando. Em arte a inovação é fundamental. O espectador quer ser surpreendido. No entanto, a inovação tem sido sobretudo tecnológica. Falta uma inovação cultural. Libertar-se de caminhos percorridos, de clichês (em que o espectador antecipa as cenas seguintes), de piscar de olhos aos diversos fãs (perseguições no meio da rua, pessoas penduradas em precipícios, corridas de carros, explosões, bombas desligadas no último segundo, etc.).

Hoje é a ficção científica que destaco, um filão ainda com muito para dar. 

 

 

 

 

 

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publicado às 11:36

Valores humanos fundamentais: a responsabilidade

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 23.12.12

Ligada à liberdade, vem a responsabilidade. Não há liberdade sem responsabilidade e as duas juntas são dois pilares da autonomia, assim como outros valores fundamentais, verdade, empatia, fraternidade, lealdade, que virão a seguir.

A responsabilidade de cada um por si próprio, pelo seu percurso, pela sua atitude, pela sua acção e interacção no mundo, a começar pelo mais próximo, a família, os amigos, o trabalho, a comunidade, o país.

 

A responsabilidade liga muitíssimo bem com a época natalícia: o presépio que idealizamos tem os pais à volta de um menino, a protegê-lo, tem a rodeá-lo os mais simples, os pastores, e os mais respeitados, os Reis Magos, mesmo que as estalagens lhes tenham fechado as portas. No presépio que idealizamos está a vaca e o burro, porque na tradição rural os animais domésticos co-habitam com os campesinos, para os aquecer (ver os contos de Miguel Torga).

 

Para pegar na responsabilidade, fui buscar um Robert Wise que já aqui referi, Execute Suite, a propósito do actor Fredric March, aqui na pele de um executivo ambicioso. Mas é a personagem de William Holden que destaco aqui hoje: a liderança responsável.

Já aqui trouxe William Holden várias vezes, e numa delas até prometi que seria o meu próximo herói, na série Os meus heróis, na qualidade do homem em quem se confia. Esta personagem, McDonald Walling, podia muito bem representar essa qualidade.

William Holden, na pele de um executivo que defende, não apenas os lucros dos accionistas, mas o prestígio da empresa, a qualidade do serviço prestado aos clientes, a sua confiança, porque é aí que está a preparação do futuro, a sua continuidade. O que propõe nesta reunião decisiva em que se irá nomear o novo director, é precisamente manter a vitalidade da empresa, uma empresa viva.

 

O importante a reter neste filme é que quanto mais elevada é a posição que alguém ocupa, quanto maior o seu poder e influência e o impacto das suas decisões, maior a responsabilidade. 

É isso que desejamos também neste Natal: que os responsáveis pelas vidas de muitos outros reflictam na sua enorme responsabilidade de defender o prestígio das suas organizações e instituições, porque o prestígio e a confiança são os pilares do funcinamento equilibrado e saudável de uma comunidade.

Aqui William Holden lembra que o sucesso e futuro da empresa depende da confiança dos clientes e do trabalho conjunto de todos os que nela trabalham. Só mobilizando todos os elementos se mantém a vitalidade de uma organização e se constrói o futuro. 

 

 

 

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publicado às 09:30

John Huston e um dia de sol

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 06.08.08

Ontem foi O Dia John Huston no canal TCM. Soube-o por acaso, quando por lá passei à espera de um "milagre". E às vezes, sim, às vezes, o "milagre" acontece: apanhei, quase no início, The Treasure of the Sierra Madre. No final, uma entrevista com a filha, Angelica Huston e o anúncio do filme seguinte (que nunca tinha visto): The Red Badge of Courage.

John Huston, como fui espreitar a uma breve biografia, nasceu a 5 de Agosto de 1906, no Nevada. E para celebrar aqui, com um dia de atraso, o seu cinema-arte - como disse, tão poeticamente, Angelica Huston: a bitter sweet morality about it, lembrei-me de um texto que lhe dediquei, e às suas personagens, e que anda a navegar desde 97... Dei-lhe o título poético John Huston e um dia de sol. Aí vai, devidamente adaptado à navegação deste rio:

 

Primeiro, o cenário. Muita luz, branca. De sol ao meio dia. De um país da América central ou de África. As sierras ou as plantações. Não esquecer as personagens. O protagonista d' As Raízes do Céu aproxima-se de papel na mão. Dizem que o seu criador lhe deu essa capacidade rara nas pessoas, a determinação. Mas há quem diga que foi a imaginação que o salvou durante a guerra, preso num espaço exíguo. Conseguia transportar-se para essas planícies intermináveis onde manadas de elefantes se deslocam em liberdade. O determinado e imaginativo cruza-se agora com uma criatura louríssima como o sol africano e os movimentos, uma coreografia estonteante. Lamentou profundamente que não estivessem no mesmo filme. A vida é injusta, pensou. Não estamos no mesmo filme mas ainda me vai assinar a petição. Assinou, depois a mesma coreografia de bailarina. Descobriu mais tarde, e devido à sua capacidade imaginativa, tratar-se de uma das personagens d' Os Inadaptados. Não tinha nada o ar de inadaptada mas as aparências iludem mesmo os mais perspicazes.

A mania de nos obrigar a trepar esta montanha com este calor. Outro protagonista ao sol do meio dia. Nem uma bebida fresca. Que falha na organização! Eh, viste passar o das petições? Encontramo-nos a toda a hora desde que me meteram naquela aventura horrorosa em África. Pelo menos o calor aqui é seco. Andar a trepar montanhas ou a puxar por um barco a cair aos bocados num rio africano, eis o preço da amizade. Ele gosta de nos ver transpirar. O calor não o afecta, antes pelo contrário. Parece um lagarto, os olhos de lagarto, o sangue frio. Gargalhadas.

Foi o que eu vi naquela noite, no México, que as iguanas se parecem com ele. Gargalhadas. E bebe mais do que eu, pelo menos aguenta-se melhor. Deve ser do sangue frio. O homem deve ser é uma espécie de mágico, um hipnotizador, porque eu não acredito que só pela amizade me apanhava nesta sierra. Aponta para o vale. Pelo menos o cônsul tem a sorte de passar o filme no bar, naquela esplanada à sombra.

Sim, sim, mas farta-se de sofrer e isso é o pior, vermo-nos encurralados na pele de um sofredor. Pelo menos eu tenho momentos divertidos e mesmo alguns em que se sente o verdadeiro calor humano. É preciso ter estrutura de sofredor para suportar o que ele suporta. Ou gostar de sofrer.

Meus amigos, porque é que a verdade é tão cruel? Ambos se voltaram para a olhar.

O protagonista de aventuras em África suspira. É a nossa amiga que nunca se queixa da vida, continua a descer aquele rio com o ar mais natural deste mundo.

A amiga sorriu, depois dirigiu a voz solene para o noctívago em noites mexicanas. E o teu anjo protector?

Não sou o único cruel nestes cenários, mas os piores por vezes são os melhores, cada um no seu papel, o meu anjo esfuma-se sempre, sempre quando amanhece... mas tenho o mar e uma companhia, é mais do que suficiente para um elemento da espécie humana.

Não sejas tão sarcástico, pode ser suficiente para a espécie humana como dizes, mas não é para uma personagem. Voltaram-se, era o homem das petições e dos elefantes. E a minha causa é esta, as nossas causas são sempre maiores do que nós, os nossos sonhos maiores do que nós...

Elefantes, que grande causa... O tom sarcástico pertencia ao protagonista, os olhos semicerrados.

O homem das grandes causas fixou-o. Está tudo interligado, o próprio cônsul entendeu perfeitamente, a mulher louríssima entendeu. Os elefantes são a última réstea de liberdade e dignidade da espécie humana. Não vou perder mais tempo a explicar tudo isso, passo a vida a fazê-lo. Assinem aqui e pronto.

 

 

 

 

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publicado às 13:04

Paul Newman e Joanne Woodward

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 28.07.08

 

Hoje, só um desafio aos que gostam, como eu, de personagens. Vou só alinhavar este post sobre Paul Newman e Joanne Woodward, com um filme fascinante: The Long, Hot Summer.

Não sei se foi neste filme que primeiro se degladiaram como personagens. Se foi, foi o melhor início possível da magia que se seguiu. Quando os dois conversam no alpendre da casa senhorial, tudo é denso, intenso e enigmático! Esta intensidade é a da dimensão das personagens!

 

A seguir, irei avançar na magia do filme, pelo menos como eu o vi. E o que registei para sempre.

Passados tantos anos, o impacto visual, as personagens, os diálogos, ainda estão vivos num lugar onde só se guardam as coisas amadas. Devo ter visto este filme uma única vez, na televisão, na década de 70, talvez finais, na televisão. Nem sei se o filme é a preto e branco, mas foi assim que o vi. (Nota) E se voltar a vê-lo é assim que o quero ver.

 

Nos anos 50 e 60 surgiram obras-primas no cinema, irrepetíveis. Sobretudo as que transportaram para a linguagem do cinema a poesia dos textos literários. Aqui trata-se de uma novela de William Faulkner.

E é aqui, na linguagem do cinema, que as personagens melhor se movimentam! A fotografia, as sequências, os planos, dão-lhes a dimensão intemporal. As personagens são intemporais e este é o seu lugar mágico. Só nós vivemos num tempo-espaço definido e mutável.

 

Em The Long, Hot Summer... a densidade, a intensidade das emoções e conflitos, numa família sulista, numa mansão de amplos jardins e celeiros próximos. O patriarca manipulador que quer descendência - a eterna questão da imortalidade -, o filho mais velho que se sente desprezado, a filha relutante em casar e o empregado que vem desestabilizar o falso equilíbrio familiar.

E é Paul Newman e Joanne Woodward, o par mágico, único no cinema!

 

 

 

(Nota)Afinal, o filme é a cores. É engraçado pensar que todos os filmes que vi na televisão, que no nosso país só se tornou colorida em 80 (a sério!), os vi a preto e branco! É que os melhores filmes que vi foi na televisão, nos ciclos de cinema que programaram. Estes ciclos são cada vez mais raros, mas estamos na geração do DVD...

 

 

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publicado às 17:43

Deborah Kerr e Burt Lancaster

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 19.10.07

O par mais poético… Não me estou só a referir ao filme From Here to Eternity e ao beijo na praia, mas também a um outro filme, obscuro e esquecido, dos finais de 60, The Gypsy Moths. Há uma sequência poética, um passeio nocturno pelos jardins perto de casa, lado a lado, primeiro em silêncio, depois a verdade, as feridas, o desencanto, são ditos assim, naquele parque infantil, à noite, por aquela mulher que de certo modo desistira de ser feliz. O homem ouve-a calmamente (há alguma coisa mais poética do que um homem ouvir uma mulher?). E desafia-a, mesmo que o seu olhar seja o mais triste olhar, porque quer acreditar que é sempre possível…

Talvez a magia dessa sequência inesquecível, única, também tenha a ver com a banda sonora… com a época… com a maturidade daquele par… Encontro em que o desejo existe de forma difusa, contida, mas que preenche tudo, os silêncios, os dramas, as palavras que se soltam na noite…

No entanto, o desejo de From Here to Eternity é o que mais prende as pessoas, porque é magnífico em si mesmo! Tão absoluto, tão sensual… e tão marítimo, pelo menos, a saber a maresia…

Deborah Kerr, eu diria, a maturidade. O olhar inteligente, sensato, sábio, até na pele da personagem mais inquietante, em The Night of the Iguana de John Huston. As personagens de Tennessee Williams…

Deborah Kerr pega na sombrinha e no caderno de desenho e desce o caminho entre as árvores… Para trás salva o herói perdido que pensa viver no “plano fantástico”… E a mulher solitária com quem o herói “preparou o ninho”, sem o saber… Pensamos que Deborah Kerr vive igualmente no “plano fantástico”, mas será? Não será ela a única que vive verdadeiramente no “plano realista”?

 

 

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publicado às 13:08


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